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A “1ª Bienal Internacional de Gravura — Douro 2001”, que decorreu em Alijó nos meses de Agosto e Setembro de 2001, encerrou as suas portas deixando antever que estão criadas as bases, para que a iniciativa tenha continuidade no futuro.
Na realidade, este projecto que tinha por objectivo principal, contribuir significativamente para o desenvolvimento cultural e económico da região, demonstrou de forma evidente ter atingido esta meta plenamente. Alijó e toda a região beneficiaram de um evento de carácter cultural inovador (o único certame internacional de gravura do país); dinâmico, na medida em que criou relações de intercâmbio com instituições públicas e privadas, nas áreas da cultura, da economia e administrativa - regionais e internacionais. Promoveu e realizou acções de formação artística e outros eventos culturais e recreativos, dando desta forma oportunidade de outras instituições participarem activamente e globalmente em todo o projecto. De salientar as actuações do grupo teatral “Filandorra” que proporcionaram noites inesquecíveis durante o certame. De resto foram muitos os espectáculos e exposições que valorizaram os espaços e demostraram ser possível, no interior, obter cultura de forma que, até aqui, apenas se via nos grandes centros populacionais. Pretende-se desta forma, criar motivos de interesse e bem estar que contribuam para a fixação da população, dinamizar o turismo evitando a “tradicional” desertificação. Se a qualidade de vida em certos aspectos é já notória, é necessário um grande investimento ao nível cultura] para um real desenvolvimento sustentado de toda região. Este é com certeza, um projecto exemplar que com um pequeno orçamento, demonstrou ser possível fazer imenso numa área tão pobre como é a nossa região. Durante um mês, Alijó foi palco de um evento que suscitou o interesse de toda a comunicação social nomeadamente jornais, televisão (programa “Acontece” TV Regiões, Noticias) e rádio, de uma forma nunca vista anteriormente. Acresce o facto de se tratar de um evento internacional e como tal, atraiu muita gente de outras regiões e países que, propositadamente se deslocaram á nossa região. Tivemos ainda a presença de uma equipa da televisão Belga.
O site da Bienal foi obviamente outra mais valia na divulgação deste projecto.
Na área artística da gravura obtivemos uma participação notável de artistas estrangeiros e uma participação previsível ao nível nacional, tendo em conta o fraco desenvolvimento da gravura no nosso pais, em comparação com outros países. Foi também esse outro dos nossos propósitos, contribuir para o desenvolvimento desta secular arte no nosso pais. Com um concurso de gravura de nível internacional colocou-se Portugal no mapa desta arte e potencializou-se esta região para uma afirmação crescente na vida cultural e artística. A concurso estiveram 318 obras de 183 artistas de 19 países, tendo o Júri seleccionado 87 obras de 72 artistas de 16 países. A qualidade e quantidade de trabalhos foi assinalável na opinião do júri internacional composto por grandes figuras do mundo da gravura como Weisbusch, Jean Dechène, Doroteo Arnaiz e Irene Ribeiro. Depois pudemos também contar com obras do Mestre Octave Landuyt, nosso homenageado e de uma série de grandes artistas nacionais e internacionais que, tendo aceite o nosso convite, enriqueceram de forma evidente o certame e contribuíram com mais espólio para a futura criação de um museu de gravura em Alijó, único em Portugal.
De salientar ainda, a crescente adesão dos jovens ás “Oficinas de Gravuras”, que o Núcleo de Gravura de Alijó realiza regularmente e que integrou na Bienal a sua 8ª e 9ª edição.
Por tudo isto julgamos ter atingido, senão mesmo superado, as melhores expectativas e desta forma estimulado um maior apoio no futuro ás nossas iniciativas, reforçando a nossa vontade de fazer mais e melhor como é nosso apanágio.
Nuno Canelas
(Director do Núcleo de Gravura de Alijó  e da Bienal Internacional de Gravura do Douro)

 
 
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