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Depois da “Pedrada no Charco” com a realização da primeira edição da Bienal 2001, operação quase impossível aos olhos de quem conhece bem as dificuldades nestas paragens em realizar seja o que for – fruto, é claro, do centralismo retrógrado cada vez mais acentuado e descarado dos governantes, aqui estamos, uma vez mais, prontos para defender a nossa bela região daqueles que preferem manter a ignorância do povo e assim poderem permanecer nas suas latrinas de poder.
Foi de facto, com muito sacrifício e suor que conseguimos evitar o derrube daquela “Árvore” que plantamos há dois anos e que começou logo a dar alguns frutos pois como se viu, trata-se de uma cultura muito rentável, com rápido crescimento e por isso, os seus ramos logo começam a incomodar pessoas com baixo quociente de sensibilidade ecológica e alta estatura inculta.
Não posso, como é lógico, deixar de lamentar o total desapoio e desrespeito que nos mereceram as diversas Instituições Governamentais, com pequeníssimas excepções e que pura e simplesmente nos atribuíram zero euros ou nem resposta nos concederam. Por maior crise que o país possa estar a passar, esta atitude demonstra falta de cultura, uma visão estupidamente economicista da realidade e que já em tempos, nos projectou a quarenta anos de atraso em relação aos demais países da Europa. Parece impossível que os políticos ainda não se tenham apercebido que sem investimento em cultura, retiram toda a capacidade a um país de progredir nos outros sectores, com a agravante de tratar-se de uma região (“Património da Humanidade”) que está na cauda da Europa em tudo e por essa mesma atitude, continuará a estar e mesmo piorar. É triste ter que proferir estas palavras que podem parecer politiquice mas, quem me conhece sabe que não têm o mínimo de propósito nesse sentido, são antes palavras de angustia de quem ama esta região e a vê tão mal tratada, continuamente esquecida e desprezada. Basta ver os projectos que se acumulam nas gavetas, à espera de quatro em quatro anos, serem acenados e novamente colocados onde estavam.
Assim, nesta conjuntura de insensibilidade tivemos que lutar, tal como fez D. Quixote, contra moinhos de vento ou melhor tempestades para que pudéssemos neste momento, anunciar a todo o mundo que esta não foi mais uma bienal que começou e logo a seguir desapareceu, situação tão comum em Portugal. Com o nosso esforço sobrenatural, algum apoio da Autarquia e outras Instituições que, coitadas podem-se queixar do mesmo que nós, mais um dinheirito que ainda vai chegando de fundos comunitários, pudemos afirmar com orgulho a qualidade desta segunda edição da Bienal do Douro e em termos artísticos, irá mesmo superar a edição anterior, temos para o efeito programada uma homenagem da mais famosa artista portuguesa de todos os tempos, Maria Helena Vieira da Silva, da qual poderemos deliciarmo-nos a ver uma vintena de gravuras, a somar uma forte representação de artistas japoneses, exímios gravadores e outros de vários países que, também em quantidade superam a primeira edição.
Por tudo isto, só podemos estar satisfeitos e temos a obrigação de agradecer a todas as Instituições e Pessoas que, com muito custo igualmente, nos apoiaram sempre e reconhecem o valor deste Evento Internacional, a todos eles agradeço aqui profundamente.
Resta-me ansiar e agradecer uma forte presença de artistas e visitantes que nos possam ajudar na colheita de mais esta “vindima” cultural no DOURO.
Nuno Canelas
Director da Bienal e do Núcleo de Gravura de Alijó |
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